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1 PAIXÃO E LABAREDAS NO CÉU DE LEIRIA

                                        ESPLENDOR SOBRE A RELVA 1.      Pierre Bonnechance tinha perdido o encanto dos dias sem mácula. Em vez de estar confiante no prestígio que criara - pois tudo o que fizera fora talhado pela ambição de ser melhor e ser referência - tinha-se acabado. C'est fini.        Perdida a notoriedade, a auréola de fulgor, sentia-se rejeitado, proscrito. Pior, estava morto.        O sofrimento era vagamente amenizado pelo desejo de que as coisas voltassem a ser o que sempre tinham sido, exactamente seis décadas, tantas quantas vivera. Nessas mãos cheias de anos julgados infinitos nunca abandonara o labor de ser o que não: o preto mais branco de Leiria. Não pretendia vestir a pele de branco, apresentar-se como branco. Não, de forma alguma. Era mesmo branco. Pensava como um branco, dizia as piadas de...